Foi edificado em terrenos do antigo Convento da Ajuda.
 
Fachada: ocupava o espaço de três andares do Edifício Glória, de oito pavimentos, tendo sua frente voltada para a Avenida Rio Branco, os lados para as duas ruas laterais – Francisco Serrador e ator Jaime Costa – e os fundos para a Rua Álvaro Alvim. Com portas e janelas rasgadas para todos os lados, oferecia perfeitas condições de ventilação e de segurança. Sua entrada era encimada por um letreiro indicativo que, segundo comentários na época de sua estréia, “era uma maravilha de perfeição, um jogo de luzes policromas que encanta”. (3)
 
Interior: referindo-se às instalações da nova casa de espetáculos, o Jornal do Commercio dizia: “Quanto à sua comodidade tem-na o novo Cine-Theatro com um mobiliário idêntico ao do Capitólio, que é comodíssimo, sendo que é todo em tom claro e alegre. Possui uma série de camarotes que é uma maravilha, e uma galeria estupenda. O seu palco é vasto, e a boca de cena magnífica, o que lhe dá esplêndidas propensões para explorar o gênero teatral.” (3)
 
Por ocasião de seu  desaparecimento, entre as razões para justificar sua demolição, dizia-se que o “Glória não tinha acústica, era barulhento, incômodo e representava um enorme espaço perdido...”.(2)
 
Vinculação: era de propriedade particular, tendo sido edificado pelos Srs. Dr. Luiz da Rocha Miranda e Eugenio Honold. Na época de sua demolição (1968), seu proprietário era Edgar da Rocha Miranda.
 
O Cine-Theatro Glória foi arrendado a várias companhias teatrais, entre elas, a Cia. Tro-lo-ló (1925) e a Cia. Theatro de Brinquedo, de Eugenia e Álvaro Moreyra (1932).
 
Espetáculos: em 30 de outubro de 1925 inaugurou-se o teatro com a Companhia de Revista e Sainetes Tro-lo-ló, apresentando a revista em 2 atos e 24 quadros, “Fora do sério”, da parceria Conselheiro XX (Humberto de Campos) e Barão de Oélle (Oscar Lopes); música de Soriano Roberto; cenários e figurinos de Luiz de Barros; guarda-roupa de Raphael Parra; mis-em-scène Jardel Jercolis. Elenco (por ordem alfabética): Adriana Noronha, Aracy Côrtes, Ivette Rozolen, Lia Binatti, Lodia Silva, Lucilla Jercolis, Manola Matheus, Sonia Botgen, Victoria Miranda, Augusto Annibal, Danilo Oliveira, Georges Botgen, Jardel Jercolis, João de Freitas, Paschoal Américo, Roberto Vilmar e 18 conjuntistas.
 
O Glória apresentava duas sessões por dia, às 20h e às 22h.
 
No dia 03 de outubro de 1925 fora inaugurado como cinema com o filme “A única mulher”, da First National, estrelando Norma Talmadge. Os espetáculos cinematográficos eram precedidos de números musicais executados pela orquestra da casa. As sessões cinematográficas foram suspensas no dia 25 de outubro para serem iniciados os ensaios finais da Cia. Tro-lo-ló.
 
Causas e data do desaparecimento: o cine-teatro, e não o prédio, foi demolido em 1968, dando lugar a uma galeria, com lojas comerciais, ligando a rua Francisco Serrador à rua Ator Jaime Costa. Naquela ocasião falava-se na construção, em cima da galeria, de uma nova sala de espetáculos, com 400 lugares, notícia que não se concretizou, desaparecendo definitivamente o teatro.