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Teatro de Santa Isabel
Estilo Neoclássico
(1841 - 1850) Recife, PE


avendo apenas com este nome uma casa particular tão acanhada, e péssima, que ninguém a ela concorre".
Com estas palavras e muitas outras, Francisco do Rêgo Barros, Conde de Boa Vista, propunha à Assembléia Legislativa de Pernambuco a construção de um teatro público que oferecesse à população "uma lícita e honesta distração".

Um primeiro projeto, apresentado por Boyer, engenheiro francês, foi recusado: pobre demais.
Um segundo, de Louis Léger Vauthier, também engenheiro francês, foi recusado: oneroso demais.
Um terceiro, do mesmo Vauthier, orçado em 240 contos de réis, foi aprovado e, no dia 1º de abril de 1841, a pedra fundamental do Teatro de Pernambuco foi colocada "na parte do meio do muro da frente principal".


Após o elemento humano, capaz de sanar - ou amenizar - os males de nosso primitivismo com o olho clínico da cultura européia, viriam, ainda, "a pedra de Lisboa, o ferro da França e os pregos de cobre da Inglaterra".


Para cobrir os custos da obra, foi concedido um benefício de 12% de vinte loterias de 60 contos de réis. Não sendo suficiente, o governo resolveria o problema.


O local escolhido - atualmente Praça de República -, que se chamava, antes, Campo do Erário, passa a chamar-se Largo das Pricesas. Antes, havia sido o Campo de Honra, pelo enforcamento, em 1817, de oito revolucionários, e, antes ainda, o Largo do Palácio Velho, pela destruição do Palácio das Torres, no final do século XVIII. Apesar do empenho de Rêgo Barros e de Vauthier, dificuldades políticas e econômicas atrasaram as obras.


A oposição, desejando atingir o governador, atacava o engenheiro, acusando-o de leviandade e desmandos, chamando-o de "o estrangeiro", ou "o francês".
No entanto, havia quem defendesse, como Antônio Peregrino Maciel Monteiro, poeta, do Conselho e o de Sua Majestade, o Imperador: "Atesto que o senr. Louis Vouthier, engenheiro de pontes e calçadas, durante todo o tempo em que exerceu o o lugar de engenheiro em chefe desta Província, se houve sempre com mui distincta habilidade, reconhecidas probidade e infatigável zelo; para a que todas as obras executadas durante a sua administração hão merecido a aprovação e o louvor dos homens inteligentes, como sejão, por exemplo, o Theatro construído nessa cidade, a Ponte Pensil collocada nas proximidades do mesmo".


Em 1940, quase um século mais tarde, Gilberto Freyre publica "Um Engenheiro Francês no Brasil", após a leitura do diário íntimo de Vauthier. "tinha a capacidade de direção, o gosto do mando, e, sobretudo, a alegria, o fervor, o entusiasmo em se identificar com a obra pública, com os companheiros de trabalho, com os operários, com os interesses gerais: possuía, em suma, um extraordinário espírito público".


Com a deposição do Conde de Boa Vista, em 1844, Vauthier viu suas dificuldades crescerem. Dois anos depois, quando voltou a Paris, a estrutura do Teatro estava de pé, mas faltavam acabamento e decoração.
Uma equipe de quatro especialistas substituiu Vouthier, e o Teatro de Pernambuco, às vésperas da inauguração, no dia 18 de maio de 1850, passou a chamar-se Teatro de Santa Isabel, em homenagem à Princesa Isabel, a Redentora, na época com 4 anos de idade.


Incendiado em 1869, o Teatro foi restaurado sob a orientação de Vauthier que, de Paris, decifrado a cada detalhe para José Tibúrcio Pereira de Magalhães, engenheiro responsável pela restauração.
Em 1876, a reinauguração do novo Teatro de Santa Isabel: camarotes amplos, cadeiras cômodas, esculturas, dourados, lustres (um deles com 152 bicos de gás), plano de borlas, salão com espelho , sofás de jacarandá.


Nenhum lugar vazio. Movem-se os binóculos e os leques. Trocam se frases e olhares. A orquestra afina os instrumentos. O maestro empunha a batuta e a ópera "Un Ballo in Maschera" , executada pela Companhia Lírica Italiana Thomas Pasini, começa.


No palco do Teatro de Santa Isabel, Castro Alves, Tobias Barreto, Joaquim Nabuco, José Mariano, Rui Barbosa, Silva Jardim, Assis Brasil e João Neves plantaram muitas de suas idéias.
Alternando-se entre o Estado e o Município, o Teatro de Santa Isabel foi tombado como monumento nacional no dia 31 de outubro de 1949 pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Entre suas inúmeras histórias, algumas inesquecíveis. A do Porto das Barcas, por exemplo.


O porto ficava ao lado do teatro e, em 1885, o "Diário de Pernambuco" registrava: "De hoje em diante, das 6 horas da manhã às 6 horas da tarde, haverá passagem em canoa, da Rua da Aurora para o Theatro de Santa Isabel e deste para aquella, pelo preço de 80 réis por pessoa. Os portos são na rua defronte do Templo dos Inglezes e no Theatro, ao lado das barcaça. Nas noites em que houver theatro, haverá passagem até findar o espetáculo".


No mesmo jornal, homens fortes e corajosos eram procurados. Teriam emprego garantido se gostassem de barcos e quisessem trafegar entre a Rua da Aurora e o teatro.
Durante o trajeto, certamente agradável, quem sabe ouviriam histórias fantásticas, saídas dos palcos, vindas de longe?





























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