
oje, o nome da praça é José de Alencar. Em 1896, quando foi lançada a pedra fundamental do futuro teatro, era Marquês de Herval.
Apesar do empenho do presidente da Província, Antônio Pinto Nogueira Acioli, e das muitas pessoas influentes de Fortaleza - no fim do século, o Ceará, exportador de algodão, mantinha ligações econômicas e culturais com Europa -, nada se acrescentou, nos oito anos seguintes sobre a pedra fundamental.
Em 1904, voltando à administração, Nogueira Acioli autoriza oficialmente "a construção de um theatro nesta capital". E, quatro anos mais tarde, o jornal governista "A República", de Fortaleza, noticia: "Acha-se exposta na Livraria Araújo, a projeção do Theatro José de Alencar, levantada pelo nosso distincto amigo e illustrado engenheiro primeiro-tenente Bernardo José de Mello. Obedece a um typo dos teatros jardins, sendo composta de quatro secções".
Logo depois, no dia 8 de junho, toda a estrutura metálica chegava de Glasgow, na Escócia. Os doze anos de espera foram interrompidos pelo movimento dos operários e pela admiração dos transeuntes.
A admiração ainda maior, e alegria, e orgulho, sente toda a população no dia 17 de junho de 1910, com a Banda Sinfônica do Batalhão de Segurança inaugurando o Teatro José de Alencar, um dos exemplares mais importantes da arquitetura do ferro no Brasil. Além disso, sua construção coincidiu com a reforma - em 1910 - do Teatro Alberto Maranhão, de Natal, ambas supervisionadas por Herculano Ramos, o primeiro arquiteto de formação profissional do Ceará, fato que explica a existência, nos dois locais, de pátio interno amplo, claro, arborizado. Daí a razão de serem chamados de teatros-jardins.
Em setembro, a Companhia Dramática Lucille Pérez apresenta o primeiro espetáculo teatral, "O Dote", do teatrólogo maranhense Arthur Azevedo. Em 1918, o Teatro José de Alencar recebe algumas reformas: a iluminação a gás e substituída pela elétrica, o piso de betume do jardim, por azulejos e hidráulicos, e duas escadas internas, fundidas no Ceará, à semelhança das externas, importadas da Escócia, são agregadas ao prédio. Na década de 20, temendo a transmissão de uma doença grave diagnosticada em um funcionário, o Teatro é fechado e sua documentação perdida, com a incineração de todo o arquivo então existente.
Em 1974, felizmente, as antigas cadeiras austríacas são recuperadas e a estrutura metálica, em frangalhos, recomposta. Além disso, o paisagista brasileiro Burle Marx, falecido em 1994, projeta, com plantas brasileiras e algumas espécies nativas do Ceará, o jardim imaginado, há sessenta e quatro anos, por Bernardo José de Mello.
Na última reforma, de 1989 a 1990, chamado para recompor o jardim, Burle Marx plantou algumas raridades brasileiras - pau-brasil, oitis, clusia fluminense -, e outras tipicamente cearenses, como as alamandas violáceas, os jucás e as macaúbas. Cobrindo a parte do fundo do jardim, uma trepadeira com flores de cor lilás. É a thunbérgia, planta nativa do Brasil.
No meio de toda essa beleza, a reforma de 1989/90 criou um espaço cênico a céu aberto, com recursos técnicos para som e iluminação.