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Teatro da Paz
Estilo Neoclássico
(1869 - 1878) Belém, PA


o dia 3 de março de 1869, quando o atual Estado do Pará ainda era uma Província do Império - a do Grão-Pará - , foi lançada a pedra fundamental do Teatro da Paz, nome que lembra o período que se seguiu à guerra contra o Paraguai.
A pedra, colocada na cavidade aberta para a fundação do edifício, e cimentada com cal e areia, alargava, para os habitantes da Província governada por José Bento da Cunha Figueiredo, as possibilidades de crescimento e de amadurecimento cultural, e abria, para os artistas que desembarcavam em Belém, vindos de São Luís e do Recife, novas frentes de trabalho e de conseqüente realização profissional.

Iniciadas nos primeiros dias de julho de 1869, as obras chegaram ao fim do dia 13 de janeiro de 1874. Durante os quatro anos seguintes, a população de Belém viveu uma situação inédita no país. Ela podia admirar - e admirava -, na Praça da República, o prédio do local Teatro totalmente concluído, mas não podia frequentá-lo.

Intrigas político-partidárias e denúncias contra os construtores do Teatro terminaram num inquérito administrativo que, lento na apuração das irregularidades, só permitiu que a obra fosse inaugurada no dia 15 de fevereiro de 1878, sendo presidente da o mais do Grão-Pará o doutor João Capistrano Bandeira de Mello Filho.

O ator Vicente Pontes de Oliveira, coordenador de uma companhia dramática local, responsabilizou-se pela apresentação da peça "As Duas Irmãs", de A. D'Annéry, com Manuela Lucci, Emília Câmara, Maria Bahia e Xisto Bahia.

O maestro Francisco Libânio regeu a Orquestra do Teatro, que executou, de sua autoria, composta especialmente para a data, a marcha do Grão-Pará. Desde então, o Teatro da Paz tem conhecido dias de glória e de abandono, de acordo com o interesse e o descaso de autoridades em locais e federais e, naturalmente de acordo com os rumos da história do país. O auge do abandono aconteceu na década de 50, quando o pano de boca do teatro, "Alegoria a República Federativa", pintado em Paris pelo cenógrafo Carpezat, e enviado para Belém em 1890, foi encontrado na lata de lixo, dizem que por ordem do diretor do Idesp, instituição à qual o teatro era subordinado.

O maestro Waldemar Henrique, que dirigiu o Teatro da Paz naquela época, estava no Rio de Janeiro em viagem de trabalho e, quando chegou, soube do absurdo cometido.
Nada haveria a fazer além da constatação da ignorância que gera uma atitude tão irresponsável, se o acaso não tivesse trabalhado a favor do desolado e dedicado maestro.

Após ficar sabendo do desaparecimento do pano de boca, ele soube também que, naqueles dias, a coleta de lixo se atrasara, por problemas com o carro. A obra de arte foi recolhida do lixo e exposta à visitação pública no majestoso salão nobre do Teatro da Paz, ao lado de seis espelhos de cristal e dos bustos, em mármore belga, dos maestros Carlos Gomes de Henrique Gurjão.

No teto do salão nobre, havia, antigamente, pinturas de De Ângelis, o mesmo artista cujo trabalho pode ser admirado, ainda hoje, em outro teto, o do salão de espetáculos.
Se o pintor realizou os dois trabalhos na mesma época, como explicar a ausência de um e a presença de outro?

É que a pintura a óleo resiste à passagem do tempo, se executadas sobre estuque. Ao contrário, desaparece, se executada sobre lona, ou madeira.
Convidado para os dois trabalhos, De Angelis insistiu com as autoridades locais para que retirassem a madeira dos tetos. Que a substituíssem por estuque, já que ele fazia questão de trabalhar com óleo.

Não se sabe se duvidando das palavras do artista, ou não se interessando pela permanência de sua obra, o certo é que as autoridades atenderam às exigências de De Ângelis pela metade. Infelizmente, o tempo mostrou quem tinha razão.

O antigo portal de entrada foi fechado e substituído por valioso espelho veneziano. A troca possibilitou a circulação do público pelas laterais, beneficiando a acústica do teatro.


A última das várias reformas, realizada no governo de Aloísio Chaves, permitiu que o Teatro fosse reaberto na comemoração de seu centenário, em 1978. Em quase 120 anos de existência, o Teatro da Paz vivenciou grandes eventos culturais e artísticos, nacionais e internacionais. Ora os paraenses se encantavam com a ópera "O Guarani", de Carlos Gomes, apresentada em 1880, ora se divertiam com a Companhia Espanhola de Pablo Lópes, ora se enriqueciam com a Temporada Lírica Internacional em 1953 -"O Trovador", "La Traviata", "Rigoletto" -, ora se admiravam com a presença do pianista Arthur Moreira Lima aos 9 anos de idade em 1949, ora se emocionavam com artistas consagrados como Ana Pavlova, Maria de Nunzio, Ângela Pinto, Menelau Campos, Magdalena Tagliaferro, tantos outros.


O Teatro da Paz foi tombado pelo Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural, em 21 de junho de 1963.



























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