Apresentação | Estilos e Teatros | Estilos | Glossário | Bibliografia | Créditos


Localização | Especificações Técnicas | Home Page


Teatro Amazonas
Estilo Neoclássico
(1884 - 1896) Manaus, AM


ntre a cidade de menos de cem mil habitantes, no alto do mapa do Brasil e o Velho Mundo, existia a imensidão do Oceano Atlântico.
No entanto, no final do século XIX, grande parte dos habitantes de Manaus usava a língua francesa nas conversas de salão, a libra esterlina no dia-a-dia das compras, e navios nas longas e lentas viagens em busca dos bens de consumo e da cultura da Europa.
O apogeu do Ciclo da Borracha transformou Manaus na maior renda per capita do país, numa cidade tão próspera que havia quem enviasse para Lisboa peças de roupas para serem lavadas e engomadas.
A prosperidade permitiu que Manaus inaugurasse um meio de transporte inédito no país - jardineiras puxadas por locomotivas - e um sistema de iluminação em arco voltaico.

Empreendimentos caros, construídos segundo os modernos preceitos urbanísticos, tornavam-se cada vez mais frequêntes, contrastando com os habituais sobradinhos com sacadas.
Em conseqüência do progresso e do requinte, a população de Manaus percebeu, no final do século XIX, que um teatro era fundamental.


Se companhias estrangeiras famosas cruzavam o oceano, se grupos nacionais selecionados atravessavam o país, se uns e outros chegavam até lá, no alto do mapa do Brasil, que encontrassem um teatro em equilíbrio com a realidade local.

Assim, a cidade que convivia com jornais impressos em francês, inglês e árabe empenhou-se, a partir de 1881, na construção de "um templo sagrado da ópera", rivalizado com os europeus.
Dois projetos foram apresentados. Um, de 250 contos, do arquiteto italiano C. Sacardim. Outro, de 500 contos, do Gabinete de Engenharia de Lisboa. Feitas as contas venceu o de valor mais alto, da empresa que havia construído o Teatro Nacional de Dona Maria II, em Lisboa.

Ainda que pudesse importar o mais caro material de qualquer parte do mundo, ainda que existissem linhas de navegação regulares e diretas com os portos de Liverpool, Havre, Antuérpia e Nova York, a utilização de mão-de-obra, insumos, artefatos e peças de decoração do exterior provocou uma inevitável lentidão na obra, com a pedra fundamental lançada em 1884.


Por outro lado, a cobiça dos contratantes da obra e os artifícios políticos, em constante descompasso, atrasaram o projeto, onerando o Tesouro da Província e interrompendo os trabalhos de 1885 a 1892.
Tanto atraso compensou se com beleza e cuidados. Enquanto a primeira se espalhava por todo o prédio do Teatro, os cuidados chegavam às ruas vizinhas, calçadas com paralelepípedos unidos por substância a base de látex: o ruído das carretas jamais deveria incomodar a platéia.

Retomadas em ritmo acelerado em 1892 as obras terminaram quatro anos depois no governo de Fileto Pires Ferreira, que inaugurou o Teatro Amazonas simbolicamente no último dia do ano de 1896.


Dominando a construção, a cúpula multicolorida, definida pelo "Jornal do Amazonas" como "formidável, aleijão, monstruosidade, papagaio". Talvez excessivamente arrojada e moderna para aquele fim de século, a imensa cúpula, assemelhando-se à de uma catedral, ao mesmo tempo que fazia do Teatro Amazonas uma edificação absolutamente diferenciada de todas as outras, provocava insatisfações quase incontroláveis. Não foram poucos os que sugeriram sua retirada, e operários para o serviço chegaram a ser procurados.
No dia 7 de janeiro, "as damas com seus vestidos de cauda, os cavaleiros com casaca e cartola", a Companhia Lírica Italiana ensinou "La Gioconda", de Ponchielli. Feitas as contas, o Teatro, orçado inicialmente em 250 contos de réis, custou, após 17 anos, a quantia de 20 mil contos de réis.


Devido à dificuldade de importação de materiais nobres, e ao seu preço excessivamente elevado, o Teatro Amazonas possui um invejável acervo, pictórico e cultural, de imitação de originais.
Assim, o estuque substitui pedras e madeiras, e colunas aparentemente de mármore maciço, na verdade, não o são, a não ser sua base. A parte superior, de ferro e concreto, recebe um revestimento imitando o mármore. Essa arte, a da imitação, explica a enorme variedade de tonalidades de mármore existente no Teatro. Tonalidades recobrindo cimento, alvenaria e reboco em alizares, óculos e balaustres.


A decadência começou com a chegada da febre amarela, em 1902, e agravou-se com a concorrência da cultura racional dos seringais do Oriente, produzindo cinco vezes mais que os brasileiros.


O imponente Teatro Amazonas passou a sediar banquete de políticos, exibições de faquires, bailes de carnaval, projeções de filmes, enquanto as companhias internacionais passaram a cancelar suas apresentações. Em 1912, excepcionalmente, um jovem violoncelista apresentou-se duas vezes.
Nome? Heitor Villa-Lobos. Tempos depois, no entanto, o que se viu foram desfiles de moda, concursos de misses, futebol de salão (uma quadra foi improvisada), bailes de formatura e, durante a Segunda Guerra Mundial, uma empresa americana ali instalaria um depósito de borracha e gasolina. Em 1926 uma quase reconstrução atingiu todas as dependências: platéia, frisas, camarotes, soalhos, peças de arte, portas, portais.


Em 1962, uma reforma ampliando a anterior fez com que o Serviço Nacional de Teatro colocasse o Teatro Amazonas ao lado de mais quinze casas de espetáculos cujo valor histórico deveria ser preservado. No dia 28 de novembro de 1966, o Teatro Amazonas foi inscrito no Livro do Tombo Histórico.


Em 1974, uma reforma orçada em 25 milhões de cruzeiros cuidou dos aperfeiçoamentos necessários, preservando o estilo original de paredes, poltronas, lustres, móveis, cortinas, espelhos.


Na última reforma, em 1990, trabalharam 600 homens, orientados por 30 técnicos brasileiros e estrangeiros. Só nas cadeiras da platéia foram usados 2.600 metros de veludo francês, 480 mil taxas de latão, 8.500 botões e 2.100 metros de passamanarias.


Quem abrir a Enciclopédia Britânica no verbete Manaus, que não se surpreenda com a quantidade de informações sobre a grandiosa sala de espetáculos.
Afinal, mais que a glória do passado, a fé no presente ou esperança no futuro, o Teatro Amazonas é a marca indelével de um tempo que todos sonham eterno.
































Apresentação | Estilos e Teatros | Estilos | Glossário | Bibliografia | Créditos



Home | Pesquisa de Teatros | Assessoria Técnica | Sobre o CTAC | Theatros do Brasil / Theatres of Brazil
Teatros do Centro Histórico do Rio