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Estilos Arquitetônicos


Os quatorze teatros brasileiros selecionados nesta obra podem ser reunidos em quatro grupos básicos, em razão de suas características arquitetônicas:
1º grupo
- Teatros de partido luso-brasileiro, originalmente denominados "casas da ópera", cuja disposição interna remonta aos teatros barrocos italianos. Pequenos e com várias ordens de camarotes, refletem o espírito de uma sociedade rigidamente hierarquizada, que até no teatro impõe a separação de classes. Os espectadores de origem social mais alta ocupam os melhores lugares. As mulheres, quase sempre ausentes, confinam-se nos camarotes, enquanto a platéia, sem nenhum conforto, é reservada apenas para os homens. Os atores são de baixa camada social, negros ou pardos, e as atrizes sobem ao palco tão-somente nos últimos anos do século XVIII. Não há, nesses teatros pequeninos, grandes preocupações com visibilidade e acústica. A orquestra está disposta no mesmo nível da platéia, e músicos com seus instrumentos maiores interceptam a visão dos espectadores acomodados no plano térreo. Seu aspecto externo nada tem de especial. Não passam de construções comuns, geminadas de ambos os lados, sem nenhum relevo na paisagem urbana.
2º grupo
- Teatros de partido neoclássico, inspirados em modelos do classicismo francês e italiano, ou nos neoclássicos franceses. Na Europa, esse esquema de teatro corresponde a ascensão econômica e cultural da burguesia. Tanto lá, como aqui, os teatros são bem maiores do que os do tipo de anterior e providos de maior conforto. Internamente observa-se a busca de luxo, presente sobretudo na decoração dos ambientes. A simbologia teatral, baseada na mitologia greco-romana, é abundante. Externamente são completamente isolados, com tratamento arquitetônico que pretende valorizá-los e destacá-los do ambiente urbano circundante. Concebidos com forma simples e clara articulação de volumes, possuem arcadas, pórticos para acesso de coches, e terraços para a tomada de ar puro pelos espectadores durante o intervalo. Nos últimos anos do Império, as mulheres descem finalmente a platéia.
 
3º grupo - Teatros com partido decalcado no modelo do Ópera de Paris. Esses teatros, de estilo eclético, construídos nos primeiros anos do século XX, representam o triunfo do mundanismo e da hierarquização da sociedade burguesa. De luxo desbordante, transmitem a sensação de ostentação e poder. No exterior, grande relevância é dada à sua posição no ambiente urbano.
Internamente, procura-se resolver os problemas de acústica e visibilidade. A caixa de cena ocupa um espaço maior. Adotam-se estruturas metálicas para as coberturas, com o objetivo de evitar incêndios, até então habituais, e a orquestra, por vezes, é relegada para um fosso, com o intuito de fazê-la passar despercebida para o público. Graças à luz elétrica, é possível manter se obscurecida a sala durante o espetáculo, que neste tipo de teatro, assume o caráter de encontro eminentemente mundano, fazendo com que a agitação de um público festivo e elegante dos ambientes coloridos e opulentos seja mais sedutora que a própria peça que está sendo representada.
4º grupo
- "Teatros-jardins", segundo a denominação usada em catálogo da firma escocesa MacFarlane, que projetou e produziu a estrutura metálica do Teatro José de Alencar. Construídos no começo deste século, apresentam características arquitetônicas ecléticas. Chamam a atenção pela existência de avarandados e pátios internos, especialmente criados para o arejamento desses edifícios erguidos em regiões de temperaturas elevadas.

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