O Teatro Carlos Gomes reabriu em 15 de setembro de 1961, completamente reformado, com palco maior, poltronas novas e instalações elétricas modernas.
 
Foi reaberto depois do terceiro incêndio, com a peça de Abílio Pereira de Almeida “L.R.S. – Liga de Repúdio ao Sexo”, gênero crazy comedy.
Elenco: Derci Gonçalves, Jean Jacques, Peggy Aubry, Cataldo Policena. Direção: José Maria Monteiro. Cenário: Luiz Paulo Senra.
 
Dois anos depois, em 1963, foram realizadas obras por ordem do Sr. Lívio Bruni com vistas a adaptar o teatro para cinema, com a abertura da boca de cena para colocação de tela cinemascope.
 
Em novembro de 1966 o teatro, arrendado por Lívio Bruni, foi transformado em cine-teatro, apresentando como espetáculo de estréia o show dirigido pelos artistas Cole e Silva Filho “Prá ver a banda passar”. Elenco: Manula e José Mafra, atores cômicos; Osni José, cantor; Sandra Moura, Marília, Marlene, Marines, Dulcinéia e outras vedetes. O espetáculo era complementado com o filme “O dólar furado”.
 
Em 1975, Miriam Alencar, em reportagem sobre o Carlos Gomes escrevia: “o velho prédio cinza não mostra, por fora, o que realmente é o Teatro. A entrada, não muito grande, dá acesso a um espaçoso hall que abriga grandes vitrinas e muitas placas de bronze nas paredes. Uma larga porta dá acesso à platéia, uma das maiores do Rio. Escadarias de mármore levam aos andares superiores onde, no primeiro, após outro grande hall com espelhos nos cantos, se situam os camarotes. Por trás do imenso palco, há espaço de sobra. Os camarins, bem espaçosos, em número de 16, se situam nos primeiro e segundo andares.
 
Ao percorrer-se o teatro sente-se a cada passo o estado de abandono em que se encontra: paredes descascadas, infiltrações no teto, portas em mau estado e nas janelas, que imitam vitrais, os vidros estão aos pedaços ou são simplesmente espaços vazios.
 
Não há no Teatro Carlos Gomes uma arquitetura que marque época, nem obras de arte em sua decoração. Seu valor maior é o sentimental, além do fato de ser uma das melhores casas de espetáculos do Rio.”
 
Por uma reportagem publicada no jornal O Globo, de 18 de julho de 1980, tem-se notícia de um movimento para a recuperação do Carlos Gomes, com planos de fazer reviver o teatro-revista.
 
Benjamim Graça Aranha, arrendatário, com uma equipe de criação constituída por Tânia Scher, atriz; Luiz Sérgio Lima e Silva, divulgador e ator; e Luiz Garcia, empresário, lançaram o projeto “150 pratas” (o preço da entrada), com duração de dois meses.
 
O prédio do teatro passou por uma grande limpeza e, pela entrevista concedida pela equipe, percebe-se o estado de abandono em que se encontrava aquela casa de espetáculos: “a entrada do Teatro Carlos Gomes já está diferente: as paredes pintadas de branco; as vitrinas do hall, que há poucas semanas anunciavam sapatos e bolsas, ou estavam vazias e empoeiradas exibem trabalhos de papelão e cartolina feitos por Analu Prestes, dando um ar mais festivo ao ambiente.”
 
“A equipe descobriu coisas incríveis nesse período de limpeza. Desde um amontoado de placas velhas atrás do cartaz da fachada principal – tinha restos de cartazes de montagens com mais de oito anos – até cortinas e cenários apodrecidos, além de alguns baús fechados onde, garantem, existem guarda-roupas de antigas montagens de teatro de revista e mais de 100 textos originais.”
 
De acordo com os dados fornecidos pela própria Empresa Paschoal Segretto, o teatro hoje possui um palco que mede 19m de largura por 15m de altura, 10m de profundidade, 20m de urdimento e 3m de proscênio.
 
Há 3 sanitários femininos e 3 masculinos. Seu sistema de ar refrigerado é feito por meio de ventiladores. São vários seus camarins: 12 individuais e 3 coletivos, comportando 15 pessoas cada um.
 
A iluminação era feita por um quadro de luz existente no palco. Depois do último incêndio, esse quadro de 110V e 220V fica atrás dos balcões. A aparelhagem de iluminação é trazida pela companhia que estiver ocupando o teatro. Há seis refletores.
 
O teatro comporta cerca de 1.100 pessoas, tendo 800 lugares na platéia, 24 camarotes com 15 lugares, 110 lugares no balcão e 100 na galeria.
 
O teatro não possui aparelhagem de som, que é trazida pela companhia arrendatária.
 
O alvará de licença para funcionamento, em vigor, tem o número 89.303/63 e foi expedido pela Secretaria de Estado de Segurança Pública.
 
São várias as placas comemorativas existentes, homenageando Jardel Jércolis (colocada em 1932); Leopoldo Fróes (31/8/1933); Vicente Celestino, pelo grande sucesso obtido com “O ébrio” e, o centenário de morte de Almeida Garret, em 1954.
 
O Teatro Carlos Gomes nem sempre abrigou revistas maliciosas e picantes. Em sua longa história, comédias tradicionais foram apresentadas, assim como dramas, operetas, burletas, revistas, bailados e sainetes.
 
Vinculação: o teatro foi sempre de propriedade particular e a primeira notícia que se tem faz referência a João Bráulio Muniz como sendo seu proprietário. (2) Em 1880 é adquirido por Pedro Ferreira de Oliveira Amorim, passando a chamar-se Theatro Sant’Anna. Por sua morte, torna-se propriedade de seus herdeiros: D. Balbina de Amorim Moraes, José Fernandes de Faria Machado e sua mulher D. Maria do Carmo Ferreira Machado, Pedro Ferreira de Amorim Júnior, Dr. João Paulo de Carvalho e sua mulher D. Albertina de Carvalho e José Bruno Nunes e sua mulher D. Henriqueta Nunes.
 
Em 1904 o teatro é vendido à Empresa Paschoal Segretto Diversões S/A, em cuja propriedade permaneceu até 31 de dezembro de 1981. Em pesquisa realizada pela Fundação Rio, com o título de Almanaque Tiradentes, há a informação de que, nessa época, a Diretoria da Empresa Paschoal Segretto Diversões, com sede no primeiro andar do anexo ao Teatro Carlos Gomes, na Rua D. Pedro I, era formada pelos irmãos Luiz e Martinho Segretto, seu sobrinho Caetano Segretto e o Sr. Emílio Ibrahim, além de vários acionistas. A partir de 1o. de janeiro de 1982 foi adquirido por José Rômulo Dantas.
 
Com mais de um século de existência, pelo Carlos Gomes passaram empresários famosos que marcaram a memória do teatro do Rio de Janeiro. Entre eles, pode ser citada a empresa dirigida pelo ator Souza Martins, que permaneceu no teatro de 1872 (dois meses após a sua inauguração) até meados de 1877, quando foi arrendado pelo casal Lucinda e Furtado Coelho até 1879.
 
Em 1880 passaram várias companhias estrangeiras – uma francesa da atriz Julie Lentz, uma espanhola de Zarzuelas e a companhia italiana Gemma Cuniberti.
 
No final de 1881 o teatro foi arrendado pela Companhia Jacintho Heller, que montou diversas das revistas da parceria famosa Artur Azevedo-Moreira Sampaio.
 
Já com o nome de Carlos Gomes foi arrendado por inúmeras companhias: Cristiano de Souza e Dias Braga, M. T. Pinto, Barreto Pinto, Procópio Ferreira, Artistas Unidos, Helio Ribeiro, Vicente Celestino, Dulcina e Odilon, Chianca de Garcia, Lívio Bruni, Silva Filho e Cole.
 
Por mais de uma vez houve tentativa de transformar o Teatro Carlos Gomes em cinema. Tem-se notícia de que, de 1o. de abril a fins de outubro de 1935, teria funcionado como cine-teatro, passando exclusivamente para cinema em novembro de 1935.
 
Em 1963, o empresário Lívio Bruni tentou uma nova transformação do teatro em cinema, apresentando filmes intercalados com espetáculos ao vivo. Contra esse fato houve veementes protestos do Sindicato dos Atores Teatrais, Cenógrafos e Cenotécnicos do Rio de Janeiro, representado pelo seu presidente, Fred Villar, e da Casa dos Artistas, junto ao então Governador, Carlos Lacerda. A classe teatral movimentou-se no sentido de preservar um patrimônio que pertencia, de fato, à cidade, impedindo que o excelente palco se transformasse em mais um cinema da cadeia Bruni.
 
Em 02 de agosto de 1963, o Diretor do Serviço Nacional de Teatro do Ministério da Educação e Cultura, Joaquim Roberto Correia Freire, e o Presidente do Sindicato assinaram uma Declaração Pública em defesa da permanência do Teatro Carlos Gomes exclusivamente como teatro, com amparo legislativo no Art. 2o. do Decreto-Lei no. 7.959, de 17/09/1945, que determinava: “Os atuais edifícios ocupados por teatros, bem como os que foram ou venham a ser construídos com essa finalidade, não poderão ser utilizados como cinemas ou destinados a qualquer outro fim, sem expressa autorização, em processo próprio, do Prefeito do Distrito Federal.”
 
A situação de funcionamento normal do teatro foi restabelecida em 1966, quando o Governador Negrão de Lima determinou o fechamento do teatro por estar exibindo filmes nos intervalos dos espetáculos apresentados por Cole e Silva Filho.