Características físicas.

Fachada: o Teatro Provisório teve projeto e construção de Vicente Rodrigues. A edificação iniciada em 29 de setembro de 1851 e concluída rapidamente, deveria durar apenas três anos, mas assim não ocorreu.

Segundo relata Henrique Marinho, "a frontaria do edifício consta de três corpos, um central e dois laterais. O corpo central apresenta três portas de arcada divididas por pilastras e que dâo entrada no saguão; no segundo pavimento há quatro janelas de peitoril, coroando este corpo um frontão reto; vê-se no tímpano uma lira. Os corpos laterais mostram duas janelas de peitoril em cada pavimento. Um ático oculta ali o telhado do edifício.

Há no fundo do teatro uma casa, que foi construída para sala de pintura. No primeiro pavimento dessa casa há duas salas: uma serve de depósito de adornos; a outra é um guarda-roupa; há também nesse pavimento três grandes camarins de primas-donas.

A sala de pintura fica no segundo pavimento. Fazendo simetria com a casa, onde existe a entrada da tribuna do imperador, há do lado oposto outra casa, que é a guarda-roupa do teatro."

E continua o escritor, numa crítica ao que ele chama de "feio edifício": "... construído sem as regras da arte, este edifício é defeituoso e indigno de servir de teatro em uma capital. Não deve ser conservado; seria indecoroso para nós deixar viver esse mau edifício. O governo, a quem pertence esse teatro, deve demolí-lo, erguendo outro, belo, vasto, majestoso, que seja um dos monumentos que tenha de ornar a cidade do Rio de Janeiro."

Interior:

Continuando a informar sobre o teatro, assim H. Marinho descreve seu interior: "... o teatro é vasto e tem largos corredores, com uma extensa platéia com 248 cadeiras de primeira classe, 443 da segunda e 147 gerais; quatro ordens de camarotes havendo na primeira 30, na segunda 29, na terceira 32, e na quarta 32.

A tribuna imperial ocupa 3 camarotes da segunda ordem, lado direito, junto ao proscênio. Há na primeira ordem 2 camarotes, que são ocupados pela guarda de honra do imperador em dias de gala; há um do juiz inspetor do teatro. Na primeira e na terceira ordem existem toilettes  para senhoras.

A sala da frente do edifício serve para os ensaios, e vê-se aí um teatrinho, onde a companhia de ópera nacional ensaia e representa."

"Medalhões no teto representavam Auber, Bellini, Taglioni, Bibienne, Verdi, Donizetti, Schiller, Catalani, Servandoni e Meyerbeer. Fora desse círculo, isolado entre palmas e louros, Rossini." (Lafayette Silva). Os retratos eram aplicados sobre fundo rosa vivo, de mau gosto, cor de que eram pintadas as paredes.

Esse teatro, que durou 23 anos apesar de sua construção ter sido provisória, sofreu várias reformas e remodelações por estar, freqüentemente, em condições precárias.

Em 1865 foi indeferido pedido do engenheiro da Diretoria de Obras Municipais para a demolição do teatro, objetivando o embelezamento da Praça da Aclamação.