Características físicas:
Inaugurado em 12 de outubro de 1813, data natalícia do Príncipe Regente, no Largo do Rossio, “em terreno fronteiro `a Igreja de Lampadoza onde em outros tempos havia uma feira de animais” (Ayres de Andrade), fazendo esquina com a Rua do Erário.
A edificação do teatro foi determinada pelo Decreto baixado em 28 de maio de 1810, assinado pelo Príncipe Regente.
O teatro foi construído em terreno pantanoso que pertencera a D.Beatriz Anna de Vasconcellos e adquirido por Fernando José de Almeida. O responsável pelo projeto foi o Engenheiro e Marechal-de-Campo João Manoel da Silva. A cantaria de um chafariz do Largo do Capim e os grossos blocos destinados à Catedral, que se devia levantar no Largo de São Francisco de Paula, serviram de alicerce para o teatro.
“Na frente o theatro tinha apenas um único andar, havendo porém, sobre as três janelas do centro, outras três de peitoril muito pequenas; no friso estava escrita a data 1813 com caracteres romanos”. (27) Havia um terraço ou varanda na frente do edifício que serviu de palco para importantes pronunciamentos históricos.
 
 
Fachada:
A fachada do teatro assemelhava-se à do Real Theatro de São Carlos, em Lisboa, e o São João foi durante muito tempo o maior teatro do Brasil.
Pela descrição que nos faz Henrique Marinho, podemos avaliar a decoração do teatro: “nos dias de gala comparecia toda a família real ao teatro, que se mostrava ornado de sedas, de flores e iluminado com arandelas e lustres. Logo que se abriam as cortinas encarnadas com franjas de ouro, que fechavam a tribuna, aparecia o príncipe regente acompanhado de toda a sua família. Os camarotes, principalmente os de segunda ordem, eram ocupados pelos fidalgos, que se apresentavam com fardas encarnadas bordadas de ouro e cobertas de condecorações, e as damas com altos toucados, onde resplandeciam pérolas e pedras preciosas. Cortinas de seda, ramos, grinaldas de flores enfeitavam os camarotes... Havia dois panos, um talar e outro de boca: aquele representava a entrada da família real na barra do Rio de Janeiro, as embarcações e fortalezas a salvarem e grande quantidade de botes, canoas e faluas.”
A pintura do pano de boca – representando a entrada da esquadra portuguesa na baía da Guanabara, conduzindo a família real – foi atribuída a Jose Leandro da Costa. (6)
O teatro acomodava 1.020 pessoas na platéia e possuía quatro ordens de camarotes, com 30 camarotes na primeira ordem, 28 na segunda, 28 na terceira e 26 na quarta.
Em 1821, foi feita uma reforma em que no teatro “pintado de novo interna e externamente, forrados os camarotes, de cujo parapeito pendiam safenas de veludo e ouro, festões de flores, bandeiras e troféus, foi estendido um tablado que encobrindo os camarotes da primeira ordem corria até ao soalho do proscênio. Do teto pendia grande quantidade de lustres de cristal. A iluminação, como exigia a praxe, era feita de velas de cera.” (19)
Em 25 de março de 1824, data em que se comemorava o juramento da Constituição do Império do Brasil, assim que terminou a representação do drama sacro “Vida de Santo Hermenegildo”, o teatro incendiou-se. O ator Antonio da Bahia, que havia feito o papel do santo, ao tentar saltar do balancim, em que estava erguido, para o tablado, impeliu-o de encontro a um pano pintado com aguarrás; encostando-se o pano às luzes, incendiou-se imediatamente. As chamas comunicaram-se ao cenário e foram inúteis os esforços feitos para atalhar o incêndio. O fogo alastrou-se por todo o edifício e o teatro ficou “reduzido a quatro paredes enegrecidas, ardentes, escoriadas, guardando um montão de ruínas, de cujo centro saíam labaredas.” (27)

Para que o público não ficasse privado por muito tempo de divertimento, enquanto duravam as obras de reconstrução, foi preparado em um salão da frente, junto à varanda, o Theatrinho Constitucional, inaugurado em 01 de dezembro de 1824.