A falta de investimentos públicos e privados que durante muitos anos deixou os centros urbanos de grandes cidades abandonados, caóticos e violentos, começa  a mudar. No Brasil, pelo menos dez capitais já iniciaram ou estão programando recursos para revitalização física, habitacional e cultural de seus centros históricos em 2003.
 
              Por exemplo, no projeto Monumenta, do Ministério da Cultura através do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN, realizado em todo o país com o Banco Interamericano de Desenvolvimento – BID e a UNESCO, está em execução o projeto de Revitalização da Praça Tiradentes, no centro histórico do Rio de Janeiro, coordenado pela Secretaria Municipal das Culturas. A área de investimento estabelecida alcança 15 quadras, onde serão revitalizados e valorizados os aspectos característicos da paisagem urbana local, por intermédio da restauração de imóveis protegidos legalmente, nas esferas municipal, estadual e federal, de propriedade pública e privada, bem como logradouros e infra-estrutura urbana, com ênfase especial nos aspectos sócio-econômicos. Conheça mais sobre essa região consultando o Plano Estratégico do Centro do Rio de Janeiro e veja também os trabalhos de outras cidades do Brasil e de outros países.
 
             O Rio de Janeiro conta com infra-estrutura legal e técnica desde a aprovação da Lei no. 506 de 17 de janeiro de 1984, que reconhece o Corredor Cultural como Zona Especial do centro histórico e que definiu as condições básicas para a preservação paisagística e ambiental de grande parte da área central. Naquele ano, foi criado o Escritório Técnico do Corredor Cultural que passou a orientar os responsáveis pelos imóveis abrangidos pela referida Lei, buscando esclarecer a população sobre a importância de conservar e manter o expressivo acervo arquitetônico preservado no centro da cidade.
 
             Esse contexto tornou inevitável dar à luz pesquisa “GUIA DAS CASAS DE ESPETÁCULOS DO CORREDOR CULTURAL E ARREDORES” desenvolvida em 1981/2 pelo Centro de Pesquisa e Informação de Assuntos Educacionais – CEDAU, da Fundação MUDES, objeto do Contrato no.98/81, celebrado naquela ocasião com o SNT – Serviço Nacional de Teatro e a Fundação Rio, sobre os prédios existentes, e os não mais existentes, que foram ou são utilizados como casas de espetáculos nessa área, como contribuição para a análise e a reconstituição da história na vida cênica do Rio de Janeiro a partir dos teatros. Para fazer justiça ao esforço realizado, e possibilitar o entendimento do trabalho executado naquela ocasião, transcrevemos apresentação, organização e utilização do Guia, bem como relação de instituições que colocaram seus acervos à disposição para a pesquisa e equipe que elaborou aquele trabalho, cujos exemplares podem ser consultados nas bibliotecas do CTAC e do CEDOC da Funarte. Complementando a pesquisa, estão incluídos dados pertinentes entre 1982 e 2003, além de fotografias – atuais e antigas – de teatros e de locais onde se encontravam os desaparecidos.
 
            O Guia conta a história de casas de espetáculos a partir do registro sobre a Casa da Ópera ou Ópera dos Vivos, inaugurada em 1767 na Rua do Fogo, atual Rua dos Andradas, em local desaparecido com a abertura da Avenida Presidente Vargas até a Sala Funarte, inaugurada em 28 de maio de 1978, no prédio do Museu Nacional de Belas Artes. Todos os registros incluem nome, data de inauguração, local, características físicas, proprietários, espetáculos de inauguração e re-inaugurações, causas e data de desaparecimento e bibliografia referendando esses dados, além de mapa de localização do teatro. Nessa transposição para a internet, além de tornar disponíveis dados colhidos na pesquisa citada, buscamos informar sobre aspectos característicos da região, pois, sem eles, não seria possível germinar ambiente tão rico para a vida e espírito dessa região da cidade.
 
            Esse projeto de transposição para a internet, enriquecendo aquele trabalho realizado há 20 anos com a tecnologia que permite aos pesquisadores cruzar dados por meio de consultas dinâmicas a banco de dados, contou, mais uma vez, com o inestimável estímulo para a elaboração do projeto, além da preciosa cooperação administrativa, do Instituto Brasileiro de Educação, Ciência e Cultura – IBECC e o apoio financeiro do Programa de Participação 2002-2003 da Unesco.
 
             O Centro Técnico de Artes Cênicas – CTAC está situado nessa região, em área ocupada por antiquários e centros culturais, em um casarão na Rua do Lavradio, 54, que outrora pertenceu à Baronesa do Flamengo.
 
            Finalmente, este é um espaço aberto a novas contribuições para melhor compreensão do ciclo de formação, desenvolvimento, decadência e revitalização desse notável Centro Histórico do Rio de Janeiro.
 
 

>> Apresentação do Guia