PERÍODO HISTÓRICO
 
Teatros da Rua do Lavradio
 

Rua do Lavradio foi aberta pelo Marquês do Lavradio  como parte do saneamento dos encharcados terrenos que então entre os Arcos e Largo do Rocio existiam, e por outros lados também. Em carta de 20 de fevereiro de 1770 ao Marquês de Vila Verde, queixou-se de que o tinham mandado para uma terra "toda cheia de pântanos, rodeada de inacessíveis montes, sendo raro o sítio que cavando de quatro palmos de profundidade não se encontre logo infinita água; conservam-se todo o ano infinitas lagoas, as quais, com o extraordinário calor do sol se lhes corrompem as águas, onde nasce estarmos respirando do ar sumamente impuro; o calor é tão extensivo que ainda quando se está em casa sem fazer nenhum excesso se está continuamente metido em suor ... e a preguiça destes habitantes é sumamente extraordinária, e esta os está reduzindo à decadência e à miséria."

A Rua do Lavradio representou um papel de alto relevo na nossa vida artística, política e social. Nela o encarregado de negócios da França, o requintado M. Pontois possuía uma chácara. Nela moravam o Marquês de Cantagalo  em 1829, o Conde de Caxias em 1852, a artista Jesuína Montani (rival de Dorsat), o tipógrafo Eduardo Laemmert em 1843, o Regente do Império Araújo Lima (Marquês de Olinda), o Visconde de Jaguari, os gentis-homens da Corte Antônio Saldanha da Gama e José Joaquim Sequeira e o grande ator João Caetano. Mais tarde aqui moraram os engenheiros André Rebouças e Vieira Souto, o médico José Pereira Rego (Barão do Lavradio).

O casarão do Grande Oriente do Brasil, terminado por José Clemente Pereira para abrigar a loja maçônica Glória do Lavradio, teve sua construção iniciada pelo artista português Victor Porfírio de Borja, da companhia Mariana Torres, interrompendo-a quando as paredes já estavam altas, para ser um teatro que rivalizasse com o Real de São João. Além desse teatro inacabado dois, pelo menos, existiram no século XIX: o Teatro Circo, de 1876, posteriormente, em 1870, transformado em Polytheama Fluminense pela Companhia Emília Adelaide, pois o Teatro São Luiz, por ela ocupado, precisava de reparos; o outro chamava-se Teatro Apollo, cujo prédio existe ainda hoje como Escola Municipal Celestino da Silva.

Duas diversões esportivas levavam multidões à rua: no Frontão Fluminense jogava-se pelota basca, onde se exibiam ágeis encestadores vindos da Espanha e de Portugal; no Velódromo, era o ciclismo que atraía os apreciadores de suas arriscadas evoluções. Nela estava também a sede da Banda Luso-Brasileira, a mais popular dos fins do Oitocentismo, e a tipografia de Domingos Magalhães, o primeiro a editar Coelho Neto.

Em 1945 os comunistas instalaram nela as oficinas de seu primeiro jornal "legal", a Tribuna Popular. Depois, quase defronte, Carlos Lacerda fundou a sua Tribuna da Imprensa ." ( As Ruas do Rio de Brasil Gerson)

 
 
Teatros do Teatros da Rua do Lavradio
Theatro do Porphyrio (1824) Theatro Circo (1876)
Theatro Polytheama Fluminense (1880) Theatro Apollo (1890)
Theatro Eden-Lavradio (1895) Theatro High-Life (1900)
Theatro da Exposição de Aparelhos a Álcool (1903)
 
 
 
 
 

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